ONDE COMEÇA A ADORAÇÃO?
Muitas perguntas foram feitas e até já respondidas sobre a adoração.
Talvez alguém até já tenha respondido esta minha indagação: onde começa a adoração?
Mas ainda quero levantar uma questão a respeito desse assunto e ao mesmo tempo respondê-la. Eu pergunto: A qualidade da nossa adoração depende da nossa relação de comunhão com Jesus? Se a resposta for sim, então fica fácil responder a outra pergunta: Por que encontramos tanta frieza em nossas Igrejas? Será que o problema da letargia espiritual não está no fato da nossa relação de comunhão com Jesus estar obstruída?
Quero remontar aqui o fato ocorrido no caminho de Emaús, quando o coração dos dois discípulos lhes ardia, no momento que aquele homem estranho falava sobre as verdades que Jesus ensinou.
E agora? O que tem a ver o episódio de Emaús com a adoração?
Se observarmos bem veremos que o coração deles ardia com a presença de Jesus. Eis aí a resposta para nossa principal pergunta: onde começa a adoração?
No coração. Na relação pessoal com Jesus.
Aqueles discípulos tiveram a oportunidade ímpar de ter convivido com Jesus. Eles ouviram dos lábios do próprio Jesus seus ensinamentos. Tinham motivos de sobre para ter o coração ardendo constantemente. Porém, o que aconteceu? Por que não mais lhes ardia o coração após a morte de Cristo? A resposta é simples: Eles deixaram de ter contato com a Palavra da Vida. E como consequência a chama do Espírito que ardia em seus corações extinguiu-se.
Não será que é por isso que há tanta frieza na Igreja?
Particularmente acho que o problema não está no coletivo, e sim no individual. Não na Igreja, e sim no adorador. Em cada um do nós. Afinal a Igreja é constituida de indivíduos. E se o indivíduo não mantém um relacionamento íntimo com Cristo, com certeza, jamais lhe arderá o coração. O resultado será Igrejas frias, indiferentes e sem amor pela causa do evangelho – consequência: falsa adoração (este povo me honra com os lábios, porém o seu coração está longe de mim).
Então o que precisamos fazer para reacendermos a chama do Espírito para que volte a arder em nossos corações? Precisamos fazer o caminho de Emaús. Precisamos ter um encontro com Jesus, aquele estranho que discorria acerca das Escrituras. Precisamos abrir Sua Palavra cada manhã e permitir que ela transforme nossa vida.
Naquele momento, por que Jesus havia se tornado um estranho? Porque o relacionamento foi quebrado. Não se buscava mais conhecer sobre os fatos futuros. Os discípulos haviam esquecido das palavras de Jesus sobre a ressurreição. Não estavam mais familiarizados com as promessas proferidas pelo próprio Cristo.
Não é muito diferente da nossa realidade hoje. Estamos sempre apressados. Acordamos cedo para o trabalho e muitas vezes não buscamos a sabedoria divina para termos um dia próspero. Ficamos sem força para continuar a jornada. Não conseguimos fazer o caminho de Emaús. E quando chegamos em casa na volta dos afazeres, estamos tão cansados que, desfalecidos, acabamos dormindo e não agradecemos as bençãos recebidas. Não encontramos alento para tentarmos refazer, no dia seguinte, o caminho de Emaús. E assim continuamos errando na nossa adoração a Deus. Reconhecemos Seu poder, misericórdia e bondade, mas não nos permitimos alguns minutos para uma comunhão com Ele.
Precisamos acordar desse sono profundo e letal em que estamos envolvidos.
Nosso Deus não merece a adoração que estamos oferecendo a Ele. Ele merece muito mais. Devemos ser, de fato, um sacrifício vivo para nosso Deus. Aqueles discípulos, lá no caminho de Emaús, tiveram uma nova oportunidade de permitir que lhes ardesse novamente o coração. Voltaram a ter contato com as promessas proferidas mais uma vez pelo próprio Jesus. E quando Cristo os deixou, deixou de lhes arder o coração?
Esse novo encontro trouxe renovação. Voltou a esperança. A certeza das coisas futuras retomou seu lugar no coração, onde antes só haviam dúvidas e incertezas.
O caminho de Emaús nos ensina muito sobre onde começa a adoração. E a verdadeira adoração só terá lugar no nosso culto ao Senhor quando, de fato, ela ocupar o lugar que lhe é devido em nosso coração. Aí então verdadeiramente o adoraremos com o espírito e com o entendimento.
O caminho de Emaús nos ensina muito sobre onde começa a adoração. E a verdadeira adoração só terá lugar no nosso culto ao Senhor quando, de fato, ela ocupar o lugar que lhe é devido em nosso coração. Aí então verdadeiramente o adoraremos com o espírito e com o entendimento.
Outro fato importante que também aprendemos no caminho de Emaús é que não basta só o encontro com Jesus para manter o coração ardendo. Devemos caminhar com Ele em toda a nossa jornada aqui neste mundo. Com isso nosso coração não só arderá, mas também permanecerá ardendo constantemente. Não haverá mais frieza de atitudes, nem de sentimentos. Estaremos vivos e avivados. A adoração será permanente em casa, no trabalho, na escola, na faculdade e na Igreja. Não será só aquele momento em que estaremos reunidos com outros membros da mesma fé. Será um testemunho para todos.
Quero terminar com o texto da Drª Eurydice V. Osterman, quando, em seu livro “O que Deus diz sobre a música” ela resume o que é adoração: “O culto verdadeiro vem como resultado de um encontro pessoal com Deus, seja em meio à natureza, na 'câmara secreta', num pequeno grupo ou num ambiente coletivo; não é necessária uma contingência de um labirinto de elementos externos (cultura, estilo, música, o próprio ritual, etc.), para que ele ocorra. Jesus disse que nossos motivos e atitudes (espírito) ligados aos princípios bíblicos (a verdade) constituem a base para um culto verdadeiro”.
Que Deus nos abençõe.
Sérgio Bispo da Silva


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